A pedra nos rins é uma condição frequente que pode causar dor intensa, mas muitas vezes pode ser prevenida com medidas simples
A pedra nos rins, também chamada de cálculo renal, é uma condição muito comum e que pode causar desde pequenos desconfortos até crises intensas de cólica renal.
O problema acontece quando substâncias presentes na urina se concentram e formam cristais, que podem crescer e dar origem aos cálculos urinários. Essas pedras se formam nos rins, mas podem migrar pelos ureteres e bexiga, até serem eliminados ou retirados,
Dependendo do tamanho e da localização, o cálculo pode permanecer sem sintomas por muito tempo ou provocar dor intensa, sangue na urina, náuseas, infecção urinária e obstrução da urina.
A boa notícia é que muitos casos podem ser prevenidos com medidas simples, principalmente através de hidratação adequada, mudanças alimentares e investigação dos fatores que favorecem a formação das pedras.
Por isso, identificar precocemente os fatores de risco e realizar acompanhamento adequado com nefrologista é fundamental para prevenir novos cálculos e evitar complicações futuras.

Dra. Camila Barbosa Lyra é médica nefrologista em Recife, com atuação voltada ao cuidado individualizado de pacientes com doenças renais.
Com mais de 10 anos de experiência como nefrologista, tem mestrado e doutorado pela UFPE e atua como preceptora no Hospital da Clínicas – UFPE.
Sua trajetória reforça o compromisso com uma medicina atualizada, cuidadosa e baseada em evidências científicas.
Suas consultas são realizadas com tempo e atenção, permitindo um cuidado mais completo, humano e individualizado, focado no paciente.
O que é pedra nos rins ou cálculo renal?
O cálculo renal é formado pelo acúmulo de cristais presentes na urina.
Esses cristais podem aumentar progressivamente até formar pedras de diferentes tamanhos.
Os cálculos urinários normalmente se formam nos rins. Dependendo do tamanho e da localização, podem permanecer no rim ou migrar pelo ureter até a bexiga, podendo causar dor, obstrução urinária, sangue na urina e infecção.

Quando os cálculos são pequenos, muitas vezes o organismo consegue eliminar espontaneamente.
Já cálculos maiores podem causar dor importante e necessitar de tratamento cirúrgico específico.
Por que o cálculo renal se forma?
A formação do cálculo renal está relacionada principalmente à alteração na composição da urina.
Quando existe excesso de determinadas substâncias ou redução da quantidade de líquidos, aumenta a chance de cristalização.
Diversos fatores podem contribuir para isso.
Quais são os principais fatores de risco?
- Baixa ingestão de líquidos
Esse é um dos fatores mais importantes. Quando a ingestão de água é insuficiente, a urina fica mais concentrada, favorecendo a formação de cristais.
Pessoas que transpiram muito ou vivem em regiões quentes também podem apresentar maior risco.
- Predisposição genética
O histórico familiar tem papel importante. Pacientes com familiares que tiveram cálculo renal apresentam maior chance de desenvolver a doença.
- Alimentação rica em sal
O excesso de sódio aumenta a eliminação de cálcio pela urina e favorece a formação de cálculos. Alimentos ultraprocessados, embutidos e industrializados costumam ter grande quantidade de sal.
- Consumo excessivo de proteína animal
Dietas com excesso de proteína podem alterar o pH urinário e aumentar a eliminação de substâncias associadas à formação de cálculos.
- Obesidade
A obesidade está relacionada a alterações metabólicas que aumentam o risco de cálculo renal. Além disso, também está associada a hipertensão e diabetes, que podem impactar a saúde dos rins.
- Infecção urinária
Alguns tipos de bactérias favorecem a formação de cálculos específicos. Por isso, infecções urinárias recorrentes merecem investigação.
- Alterações metabólicas
Algumas pessoas apresentam maior eliminação urinária de cálcio, ácido úrico ou oxalato, o que aumenta o risco de formação de pedras.
- Uso de medicamentos
Alguns medicamentos podem favorecer o aparecimento de cálculos em determinados pacientes.
Existem diferentes tipos de pedra nos rins?
Sim. Os cálculos podem ser formados por diferentes substâncias.
Os principais tipos de cálculo incluem:
- Cálcio (oxalato e fosfato de cálcio)
- Ácido úrico
- Estruvita
- Cistina
A composição do cálculo influencia o tratamento e as medidas preventivas.

Quais são os sintomas do pedra nos rins?
O sintoma mais conhecido é a cólica renal. A dor costuma surgir de forma súbita e intensa.
Em muitos casos, começa na região lombar e pode irradiar para abdome, virilha ou região genital. A intensidade da dor varia conforme o tamanho e a movimentação do cálculo.
Além da dor, outros sinais podem aparecer:
- náuseas e vômitos
- sangue na urina
- ardência ao urinar
- aumento da frequência urinária
- urgência urinária
- dificuldade para urinar
Alguns pacientes também podem apresentar febre, especialmente quando existe infecção associada.

Pedra nos rins pode não causar sintomas?
Sim. Em alguns casos, o cálculo é identificado apenas durante exames de rotina, como ultrassonografia ou tomografia.
Isso acontece principalmente quando as pedras permanecem paradas no rim sem causar obstrução.
Mesmo sem sintomas, a avaliação com o nefrologista é importante para investigar fatores que favorecem a formação dos cálculos e identificar alterações que podem ser corrigidas, ajudando a prevenir o crescimento das pedras, formação de novos cálculos, infecções urinárias, obstruções e outras complicações renais
Quem tem pedra nos rins precisa procurar um nefrologista?
Em muitos casos, sim.
O nefrologista ajuda a investigar fatores que favorecem a formação das pedras e reduzir o risco de novos episódios.
A avaliação com nefrologista é especialmente recomendada para pessoas com:
- episódios repetidos de cálculo renal
- primeiro episódio em pacientes com doenças associadas, como diabetes, obesidade ou hipertensão
- perda da função renal ou alteração da creatinina
- histórico familiar de pedra nos rins
- infecção urinária de repetição associada ao cálculo
- cálculos nos dois rins
- múltiplos cálculos renais
- necessidade de internação ou procedimento urológico
Em muitos casos, exames de sangue e urina ajudam a identificar alterações metabólicas que aumentam o risco de formação das pedras.
A investigação adequada permite orientar medidas de prevenção individualizadas e reduzir o risco de novos cálculos e complicações futuras.
Quando pedra nos rins pode ser mais grave?
Algumas situações merecem atenção especial.
O risco de complicações aumenta quando ocorre:
- pedra está bloqueando a passagem da urina entre o rim e a bexiga
- infecção urinária associada
- perda da função renal
- cálculos em ambos os rins
- rim único
Nesses casos, a avaliação deve ser mais rápida.
Quais exames ajudam no diagnóstico?
Existem diferentes exames que ajudam a identificar o cálculo renal e avaliar sua repercussão.
- Ultrassonografia
É um exame simples, amplamente disponível e sem radiação. Pode identificar cálculos e avaliar dilatação das vias urinárias.
- Tomografia abdominal
A tomografia costuma ser o exame mais sensível para detectar cálculos. Ela permite identificar tamanho, localização e quantidade de pedras.
- Exame de urina
Ajuda a identificar: densidade e pH da urina, presença de sangue na urina, cristais e sinais de infecção.
- Avaliação metabólica
Pacientes com cálculo renal recorrente precisam de investigação metabólica mais detalhada com exames de sangue e urina de 24 horas. Essa avaliação ajuda a identificar alterações que favorecem a formação de pedras.
- Estudo da composição do cálculo (análise cristalográfica)
É um exame realizado na pedra eliminada ou retirada do paciente para identificar do que o cálculo é formado, como oxalato de cálcio, ácido úrico, estruvita ou cistina.
Essa análise ajuda a investigar a causa do cálculo e orientar medidas mais específicas de prevenção.

O cálculo renal pode voltar?
Sim. Esse é um ponto muito importante.
A formação de pedra nos rins pode voltar a acontecer após a eliminação ou retirada cirúrgica de cálculos.
Cerca de metade das pessoas pode apresentar um novo episódio de cálculo renal ao longo da vida, principalmente quando os fatores que favorecem a formação das pedras não são identificados e tratados.
O risco de recorrência é maior em pessoas com:
- baixa ingestão de água
- histórico familiar de cálculo renal
- obesidade
- dieta rica em sal
- excesso de proteína animal
- diabetes
- infecção urinária de repetição
- múltiplos episódios prévios de pedra nos rins.
Nesses casos, após um episódio de cálculo renal, é importante investigar a causa com o nefrologista e adotar medidas de prevenção para reduzir o risco de formação de novos cálculos. A prevenção é fundamental.
Como prevenir novos cálculos?
A prevenção do cálculo renal depende da causa da formação das pedras e das características individuais de cada paciente. Por isso, a avaliação com nefrologista é importante para identificar fatores que favorecem o surgimento dos cálculos e orientar medidas específicas para cada caso.
Mesmo assim, algumas medidas costumam ajudar na maioria das pessoas e podem reduzir significativamente o risco de novos episódios.
As principais orientações incluem:
- Aumentar ingestão de líquidos: a hidratação adequada é uma das medidas mais importantes. O objetivo é manter a urina mais diluída, reduzindo a formação de cristais.
- Reduzir consumo de sal: o excesso de sódio aumenta o risco de formação de cálculos. Reduzir alimentos industrializados pode ajudar.
- Ajustar alimentação: dependendo do tipo de cálculo, pode ser necessário ajustar o consumo de proteínas, oxalato ou outros alimentos específicos.
- Tratar fatores associados: controle da obesidade, hipertensão e diabetes também faz parte da prevenção.
- Praticar atividade física regularmente
- Evitar excesso de suplementos sem orientação médica
- Acompanhamento médico regular: pacientes com episódios recorrentes de cálculo renal devem realizar acompanhamento periódico para reduzir o risco de novas crises e complicações futuras.
- Utilizar medicações para reduzir a formação de novas pedras
Em alguns casos, pode ser necessário utilizar medicações específicas para reduzir a formação de novos cálculos renais. A medicação utilizada varia conforme o tipo de cálculo e as alterações identificadas nos exames de sangue e urina.
Quanto de água devo beber para evitar pedra nos rins?
Aumentar a ingestão de líquidos é uma das principais medidas para prevenir novos cálculos renais. Quando a urina fica mais concentrada, aumenta a chance de formação dos cristais que dão origem às pedras.
De forma geral, o objetivo é produzir pelo menos cerca de 2 a 2,5 litros de urina por dia, o que normalmente exige ingestão de aproximadamente 2,5 a 3 litros de líquidos ao longo do dia para a maioria das pessoas.
Pacientes que suam muito, praticam atividade física, vivem em regiões quentes, ou já tiveram cálculos recorrentes podem precisar de quantidades ainda maiores de água.
Uma dica prática é observar a cor da urina:
- urina muito escura pode indicar baixa hidratação
- o ideal é manter a urina clara na maior parte do dia
O cálculo renal pode afetar a função dos rins?
Sim. Quando há obstrução importante ou episódios repetidos, pode ocorrer redução da função renal de forma permanente (doença renal crônica).
Por isso, o acompanhamento adequado com nefrologista faz diferença.
O cálculo renal sempre precisa de cirurgia?
Não. Muitos cálculos pequenos conseguem ser eliminados espontaneamente.
O tratamento depende de fatores como:
- tamanho do cálculo
- localização
- presença de infecção ou obstrução
Como funciona o tratamento das pedras nos rins?
O tratamento pode incluir:
- controle da dor
- hidratação quando necessário
- medicações específicas direcionada para alterações metabólicas de cada paciente
- procedimentos cirúrgico para retirada do cálculo em alguns casos
A abordagem varia conforme cada paciente.
Nefrologista ou urologista: qual procurar para pedra nos rins?
Embora as duas especialidades cuidem do sistema urinário, o nefrologista e o urologista têm papéis complementares — e entender a diferença é essencial para quem sofre com pedra nos rins.
O urologista é o especialista cirúrgico. Ele atua quando a pedra nos rins precisa ser retirada por procedimento, como litotripsia (ondas de choque), ureteroscopia ou cirurgia.
O nefrologista é o especialista clínico. Ele investiga por que a pedra nos rins se formou e orienta o tratamento com medicamentos para evitar novos episódios. Também acompanha os efeitos da pedra nos rins sobre a função renal.
Na prática, as duas especialidades trabalham juntas:
- O urologista retira a pedra nos rins
- O nefrologista investiga a causa e previne o reaparecimento
Regra simples: se a pedra nos rins está causando dor, obstrução ou precisa ser retirada → urologista. Se você quer entender por que as pedras se formam e evitar que voltem → nefrologista.
Conclusão
O cálculo renal ou pedra nos rins é uma condição comum e que pode variar desde quadros assintomáticos até episódios de dor intensa.
A investigação adequada ajuda a identificar fatores associados, para reduzir o risco de recorrência e proteger a função renal ao longo do tempo.
Dor lombar intensa, sangue na urina, infecções urinárias recorrentes e crises repetidas são situações que merecem avaliação especializada.
O acompanhamento adequado com nefrologista permite diagnosticar e tratar fatores associados, para reduzir a formação de novos cálculos e preservar a saúde dos rins ao longo do tempo.
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